Friday, July 16, 2010

Chove chuva....

Pois então. Dizem que Alberta é uma Província seca. Sempre tem gente reclamando que o nariz sangra o tempo todo (e a gente que achava que Brasília era seco....). Daí os canadenses morrem de inveja da umidade no Brasil. E eu pergunto: inveja de que? De pendurar calça jeans pra secar durante o inverno em POA e esperar uma semana? De ter que usar aqueles potinhos plásticos anti-mofo dentro do guarda-roupa e ter que trocar duas vezes por mês e ver aquela aguinha nojenta no fundo do pote? Não, não, não. Eles não sabem o que estão pedindo. Mas tanto pediram que agora tai. Eu avisei. Agora está chovendo todos os dias faz umas 3 semanas e ninguém agüenta mais. Hehehe. Eu estou vendo esse lugar se transformar em um paraíso tropical. Nosso jardim nunca ficou tão verde e as plantas estão crescendo como chuchu na cerca. A macieira esta carregada e o Matthew já vem dando indiretas sobre tortas de maçã. Construímos uma “casinha de cachorro para gatos” para o Friday. Não tenho fotos aqui, mas vou postá-las no futuro. A casinha fica no jardim, e quando chove ele fica sentado lá dentro com cara de c..... CAT! Isso mesmo, era isso que eu quis dizer. Tanto chove, que o pessoal daqui, desacostumado com umidade fica que nem pinto molhado. Ninguém aqui tem guarda-chuva, então ficam andando na chuva com o capuz do moletom sobre a cabeça, como se isso adiantasse. Ah, bem me lembro dos meus tempos de UFRGS, de quando em dias de chuva a fila do RU parecia a praia de Tramandaí: um guarda-chuva (ou no caso da praia, guarda-sol) grudadinho no outro. Aqui não, a gente nem precisa se preocupar com calcadas estreitas quando chove, porque as chances de ter alguém vindo do sentido oposto com guarda-chuva são mínimas. Aqueles guarda-chuvas extra-grandes (e muito irritantes), que começaram a fazer sucesso no Brasil pouco antes de eu vir pra cá, então nem se fale. O pessoal aqui se molha mesmo, passa o dia ensopado, daí volta de bicicleta pra casa (que por sinal não tem paralamas, porque obviamente não e algo “cool”). Eu acho engraçado, mas tenho certeza que eles me acham engraçada por trazer sempre minha sombrinha ao menor sinal de nuvens cinzas no horizonte. Não adianta, tem hábitos que estão encravados no meu espírito de nascida e “crescida” na grande Porto Alegre. Obrigada mãe, por nunca me deixar sair de casa sem o famoso conselho de toda mãe gaúcha: “leva o guarda-chuva!”.

O trabalho no campo também não tem sido muito facilitado pelo chuvaredo, mas os escassos dias de sol foram bem aproveitados. Trabalhei em Dry Island Buffalo Jump Provincial Park aqui mesmo em Alberta por uma semana. O lugar é lindo e coletamos aproximadamente 20 indivíduos de Albertosaurus. Pra quem não conhece, esse é um dinossauro da mesma família que o Tyrannosaurus rex, ou seja, cara de mau e braços pequenos. Eu fui a cozinheira oficial do camping, porque o resto da tropa era um bando de machos que não sabem nem fritar um ovo. E eles comeram como condenados as refeições que eu preparei. Agora se tem algo a ver com trabalhar quebrando rochas o dia todo com apenas um sanduíche e amendoins no estomago OU se minha comida é realmente maravilhosamente divina, isso eu não sei. Na verdade acho muito mais provável a segunda opção.


Um dos paleontólogos daqui (Darren Tanke) também resolveu montar uma balsa/barco-réplica da balsa original usada pelo paleontólogo Barnum Brown em 1910. B.B. navegou o Red Deer River em busca de fósseis em Alberta e fez algumas das descobertas mais importantes na história da paleontologia. Tivemos um tempinho pra ver a balsa, subir e fazer um lanche. Todas as coisas na balsa eram estilo 1910. Passamos a tarde atracados perto de onde nossas escavações estavam acontecendo e no fim do tia fizemos uma trilha carregando uma enorme quantidade de bagagem para o nosso acampamento. Me senti numa daquelas expedições antigas porque tivemos que carregar um monte de bolsas com coisas pesadíssimas por uma longa trilha bastante difícil, atravessando córregos, etc. Tudo foi uma aventura e, apesar das nuvens de mosquitos famintos, todos sobrevivemos.


Buenas, aqui vão algumas fotos, já que faz um tempinho que eu não dou upload de nada.


Réplica da balsa de Barnum Brown de 1910.


A balsa tinha tambem esse pequeno bote, que não era nada prático...


Quando chove no campo..... a gente fica dentro de uma barraca gigante. Coprolite happens...


Nuvens chegando no horizonte. Essa era a vista do nosso acampamento todas as noites. Ah, so uma curiosidade aqui: essa foto foi tirada as 22:30.


Semana passada foi o aniversário do Matthew. Alguns beberam mais que outros e no dia seguinte sofreram as conseqüências.

2 comments:

Marina Quico e Alice said...

Miriam!
Nao sabia que eras gaucha!
Finalmente alguem que entende o horror da umidade de Porto Alegre!
abraço,
Marina

Vitor Reus said...

Aqui não é novidade, mas continua chovendo a semana inteira.

Parabéns pro Matthew!

Essas fotos tão muito legais, e queria ver a foto da casinha de cachorro do gato hehe.