Tudo começou bem na saída de Edmonton. Apesar de ser bem na época do vulcão de nome impronunciável (Eyjafjallajökull – sim, tive que copiar e colar o nome de um site) na Islândia, o avião não estava atrasado. Também, eu tinha conexão em Toronto. Chegando em Toronto, já vi que meu vôo Toronto – Warsaw (Polônia) estava nada menos do que 6 horas atrasado por causa do maldito vulcão @*%$#@. Minha única preocupação era que tinha ficado combinado que eu me encontraria no aeroporto em Moscow com o resto do pessoal aqui do lab que também estava indo pra lá. E com certeza eu iria perder a conexão Warsaw – Moscow com esse atraso. Por imensa sorte, eu encontrei um dos meus colegas no aeroporto em Toronto, que estava num vôo diferente, fazendo conexão via Londres. Pelo menos consegui conversar com ele um pouco e assim alguém mais do grupo sabia da minha situação, já que ninguém estaria comunicável pelas próximas horas via celular ou qualquer outro meio de comunicação. Ufa! – pensei – agora não terei mais problemas e tudo vai se resolver quando eu chegar em Moscow (atrasada, claro). A gente tinha combinado que eles me esperariam por algumas horas lá no aeroporto em Moscow e que se eu não chegasse ate umas 11 da noite, pra eles irem pro hotel, que provavelmente eu só chegaria no dia seguinte. Originalmente era pra todo mundo chegar em Moscow por volta das 3 da tarde.
Na hora de embarcar no meu vôo Toronto-Warsow a fila era aquela bagunça. Na verdade parecia um chiqueiro. Um bando de gente se empurrando, todo mundo querendo chegar primeiro. Sinceramente não entendo o prestígio de embarcar primeiro no avião, pra ficar lá dentro esperando sentada (como se as 9 horas de vôo já não fossem suficientes). Mas o pessoal estava impaciente e meio selvagem. Daí tinha uma senhora idosa em cadeira de rodas e obviamente ela tinha preferência e embarcaram-na primeiro. Ah, pra quê! Quando os outros velhinhos viram isso, imediatamente se dirigiram ao balcão pra pedir mais cadeiras de rodas (quando obviamente não precisavam). Teve até uma senhora carregando umas 5 imensas sacolas de bagagem de mão, e arrastando uma cadeira de rodas atrás dela, de modo que assim que ela chegou na fila, ela sentou na cadeira e começou a se dirigir até o começo da fila. Ai. Sério mesmo? Será que o desespero pra ser primeiro na fila é tanto? Parabéns: você acabou de atrasar ainda mais o processo de embarque.
Finalmente, após atuações por parte dos idosos dignas de Oscar, estávamos voando em direção a Warsow. E, para minha surpresa, num avião da Varig. Até os adesivos dentro do avião e as mensagens no sistema de entretenimento eram em português.
Chegando na Polônia, minhas preocupações começaram a aumentar. Eu teria que enfrentar aquele grupo de pessoas desesperadas para serem atendidas primeiro, incapazes de se organizarem em fila, empurra-empurra, pra conseguir uma informação sobre minha conexão perdida pra Moscow. E minhas preocupações se materializaram bem diante dos meus olhos: tinha um balcãozinho bem fuleiro com duas pessoas pra atender umas 100 pessoas, todas com conexões perdidas. (E vale mencionar aqui que a ASA predominante nesse grupo não tinha nada a ver com avião). Foi um caso legítimo de “facepalm”. Respirei fundo (mas não muito, pra não desmaiar ali mesmo) e tentei fazer minha cara mais simpática e levar tudo na boa. Apesar do cheiro de asa na atmosfera local. Apesar do cansaço. Apesar da vontade louca de ir ao banheiro. Eu vi no quadro de anúncios que havia um vôo pra Moscow na próxima 1 hora. Fiquei pensando: “ah, seria ÓTIMO pegar esse vôo, e eu ainda chegaria em Moscow na mesma hora que o resto do meu grupo e daí nós quatro podemos rachar um taxi e chegar no hotel relativamente cedo e descansar. Passou meia hora e nada de eu chegar na vez de ter minha passagem transferida. Daí me indignei e comecei a chamar o pessoal do aeroporto que eu precisava chegar em Moscow e tinha um vôo pra dali a pouco. Finalmente uma luz se acendeu nas cabeças daquele povo e resolveram atender as pessoas por ordem de vôos que estavam para sair, ao invés de ir atendendo quem conseguia empurrar mais gente e chegar no balcão.
Finalmente, nos últimos 2 minutos, consegui embarcar no vôo Warsaw-Moscow. Ah – pensei. – tudo certo. Agora vou chegar em Moscow cedinho, me encontro com todo mundo e toda essa confusão acaba. Mal sabia eu o quanto eu estava enganada...
Quando o avião pousou em Moscow (mais ou menos umas 8 horas da noite), mais problemas. A rampa de desembarque estava quebrada e a gente teve que esperar alguém chegar com aquelas escadinhas pra todo mundo poder descer do avião para a pista. Levou por volta de 20 minutos pra escada chegar ali. Daí tivemos que esperar mais 15 minutos para que pudessem trazer um ônibus que poderia levar as pessoas do avião até a porta do aeroporto. Quando o ônibus chegou, todo mundo desembarcou do avião para o ônibus (mais 15 minutos) e o ônibus andou por não mais que 100 metros (segundo “facepalm” do dia). Daí chegaram todas as lerdezas rotineiras e esperadas de aeroporto: passar na alfândega, esperar a mala na esteira de bagagem, e..... OPA! Cadê a minha mala??
Claro. Tinha que ter mais esse problema. Perderam minha mala. Conseguiram me embarcar as pressas, mas não a minha mala. E a pior parte é que na mala estava um equipamento de 5 mil dólares do laboratório. Terceiro “facepalm”. Me dirigi ao departamento de “perdidos” (porque nunca tem achados), onde a maior parte das pessoas mal falava qualquer língua além de russo (e eu falo 5!), apesar de ser um aeroporto internacional. Quando finalmente eles entenderam o que estava acontecendo e me comunicaram que a mala chegaria em Moscow entre meia noite e uma da manhã, já eram 10:30 da noite. E eles também me disseram que eu teria que ficar ali esperando na esteira até a mala chegar, porque o aeroporto não entregaria a mala no hotel (que legal, né?). Quarto facepalm. Consegui pelo menos convencê-los a me deixar sair da área da esteira pra ver se eu encontrava meus colegas, e a gente poderia combinar algo pra ainda racharmos um taxi. Quando saí pra área de desembarque do aeroporto, não encontrei meus colegas. A essas alturas, isso não me surpreendeu. Daí dei uma olhada nos preços de taxi, e custaria por volta de 200 dólares pra ir dali até o hotel. Ai. Daí olhei o esquema dos trens e ônibus. O último sai a 1 da manhã. Impossível com a minha mala chegando aquela hora no aeroporto. Daí um homem com cara de maníaco começou a me seguir no aeroporto e não parava de querer puxar conversa. Depois de mandar ele pastar algumas vezes ele não desistiu. Daí tentei telefonar pro hotel pra ver se meus colegas estavam lá e se podiam me ajudar de alguma maneira. O número do hotel não funcionava. Nenhum dos 3 que tinham no site. Daí o maníaco veio atrás de mim oferecendo o celular dele e perguntando pra onde eu ia. Totalmente nojento e creepy. Mandei ele pastar de novo. Daí me sentei e comecei a comer uma barrinha de cereal e pensar nas minhas opções. Não haviam muitas. As únicas opções pareciam ser: pagar 200 dólares num taxi até o hotel que a essas alturas eu não tinha nem certeza se existia, OU dormir no aeroporto com o maníaco sempre rondando. Daí eu fiz algo de que não me orgulho muito. Chorei. Chorei feito criança. E eu sei que chorar não é uma boa opção e geralmente não ajuda. Mas dessa vez – e só dessa vez – ajudou. Me levantei, sequei minhas lágrimas e comecei a caminhar um pouco pra ver se relaxava. E veio uma voz bem meiga atrás de mim perguntando (em um inglês com sotaque bem russo): você está bem? Eu vi você chorando.... precisa de ajuda? – Daí me virei e vi uma moça bem simpática com seu irmão. Expliquei pra ela minha situação e ela pediu pra ver o mapa de onde ficava meu hotel. Mostrei pra ela e com um sorriso ela disse: ah, isso fica bem perto de onde eu moro, quer carona? – Naquele momento foi como se uma luz tivesse descido do céu e eu senti conforto pela primeira vez desde que saí de Edmonton. Ela – Zina – e o irmão – Sergei (pode ser mais russo? Hehehe), ficaram comigo no aeroporto até a minha mala chegar, me levaram até o hotel (dirigindo pela rota turística e me dando aulinhas sobre todos os prédios, monumentos, etc) e me ajudaram com tudo. Zina me passou o telefone e e-mail dela, caso eu precisasse de ajuda com algo.
Finalmente cheguei no hotel. Entrei no quarto e encontrei uma Victoria (minha colega de laboratório) muito surpresa em me ver, e uma cama! AH A HORIZONTALIDADE! Victoria perguntou: - então, o que aconteceu? Como você chegou aqui? – Ah, - respondi. – você não vai acreditar.


5 comments:
ah miroka, cada aventura que tens vivido... imagina se tivesses aqui fazendo doc? o máximo de aventura seria fugir de um bebum em dona francisca, hahahaha
bjs com saudade
Ah, mas tinha aventuras ai no Sul sim. Lembra dos eventos com asa? Do Pegasus? Da posicao vaporosa?
Acho que todo campo e cheio de aventuras...
hahaha
Minha filha, hoje com dez anos, deseja tornar-se paleontóloga. Em parte, porque o pai é apaixonado pelo tema e, também, porque ela adora ler seu blog. Se ela terá uma vida de aventuras, como a sua, não sei. Mas que seria um sonho realizado vê-la descobrindo e estudando fósseis, disso tenho plena certeza. Quem sabe, ela até nomeie uma nova espécie descoberta por ela mesma!
Miriam, gostaria muuuuuito de trocar um email com voce! Estou pensando em ir pro Canada, mas tenho medo, medo de largar tudo aqui, minha familia, meu trabalho. Achei seu blog e achei o maximo! Queria dividir um pouco minhas aflicoes com voce!!!
Míriam, eu e minha esposa estavamos buscando sobre imigraçäo p canada e eis q começamos a ler seu blog desde o inicio! Como um livro. Ficamos curioso sempre em ver o proximo capitulo( quero dizer, post, rsrs). Muito legal!
Temos otimos empregos aqui mas queremos dar uma reviravolta na vida. Estamos pensando no canadá. Abç,
Wilton
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